Melhor país do mundo para se viver, Noruega é ‘desafio’, diz brasileiro


País europeu lidera ranking mundial de desenvolvimento humano da ONU.Carioca que vive em Oslo diz que vida pode ser dura para imigrantes.


Eleita pela segunda vez consecutiva o melhor lugar do mundo para se viver pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, a Noruega é “um desafio” para os brasileiros na opinião do carioca Leonardo Doria, que trocou o Rio de Janeiro pela capital da “terra dos vinkings”, Oslo, há pouco mais de 8 anos.


“A vida é muito dura. Você trabalha muito, só que se ganha muito bem. O governo dá as principais coisas de que [um cidadão] precisa. Mesmo o setor de saúde sendo um pouco deficitário, é muito melhor que no Brasil e outros países desenvolvidos”, diz Doria, que conta ter enfrentado dificuldades quando desembarcou no país para estudar geografia humana na Universidade de Oslo.


Mas, ao contrário de muitos dos brasileiros que atende no setor de integração e imigração do governo norueguês, onde trabalha, a língua não está entre os percalços superados por ele.


“Comecei a aprender a língua ainda no Brasil, e acabei aprendendo sozinho. Sempre que via algum escandinavo conversando, começava a puxar papo para desenvolver o idioma. É uma língua completamente diferente do português, mas, como já falava alemão, ajudou”, conta o carioca, que chegou a trabalhar num albergue no Rio para “fazer uma rede de amigos europeus”.


Além do alemão, ele também fala inglês e entende dinarmarquês e sueco.Mais que o idioma, Doria cita as temperaturas geladas da país escandinavo, a diferente cultura e o comportamento reservado dos noruegueses como as principais dificuldades. “No começo, tudo era novo, nunca tinha visto neve. Cheguei no verão, que é muito bom, depois veio o outono. No segundo ano, comecei a ver que era muito difícil. Mesmo falando a língua, complicou muito. É uma cultura completamente diferente.” Em Oslo, onde vive, a temperatura pode chegar a até 16 graus negativos no inverno, e sobe aos 27 graus no verão, o que, segundo o brasileiro, muda até mesmo o comportamento dos noruegueses. “Na passagem do outono para a primavera e o verão, tudo muda. As pessoas usam roupas mais coloridas, os bares abrem na rua, os restaurantes servem comida na calçada, a cidade têm outra vida”, observa.


Antes de trabalhar para o governo norueguês, Leonardo Doria, que disse ter escolhido a Noruega por ser um país com poucos imigrantes brasileiros, o que facilitaria a integração, pintou apartamentos, fez faxinas, ajudou em mudanças, foi garçom e intérprete. Nesta época, diz, a ajuda dos novos amigos brasileiros foi fundamental. “Conheci brasileiros que me ajudaram para caramba. Nesta época de dificuldade, definitivamente não seriam os noruegueses [que ajudariam]”, lembra.

Qualidade de vida

Mas e quanto à reconhecida qualidade de vida do país, referência no resto do mundo pelo seu alto índice de desenvolvimento humano e uma renda per capita anual que passa dos 60 mil euros (mais de R$ 150 mil)? Casado com a artista plástica norueguesa Nora Ystad Dorio, 35, com quem teve dois filhos, Gabriel, de 7 anos, e Andreas, de 4, o carioca Doria confirma que esta é a maior vantagem da vida no país. “De dois em dois anos vamos ao Brasil e minha mãe sempre vem nos visitar. O que mais sinto falta é da minha família e meus amigos. Volta e meia penso em voltar a morar no Brasil, mas a estabilidade financeira e a segurança que nós temos aqui, sei que seria difícil de conseguir no Rio.”


Dentre as diferenças mais notórias, ele destaca o seguro-desemprego, que no país europeu é concedido por até dois anos e corresponde a 80% da média salarial. Além disso, o baixo grau de violência, segundo Doria, confirma a fama de um dos lugares mais seguros do mundo e impressiona quem vem de outros países. “Acontecem uns casos extraordinários, mas o dia a dia é muito seguro. Se você esquece um casaco ou óculos num lugar público, chega no dia seguinte e ela está pendurado ou foi entregue em algum local. Quando tem algum assassinato, geralmente é o maior caso do ano. O caso mais importante dos últimos anos foi o de um casal que matou uma pessoa para receber a herança. Eles foram presos, mas se fala nisso há uns cinco anos”, conta.

Sistema de saúde
Em contrapartida, o sistema público de saúde, apesar da boa cobertura, não é mais o mesmo de alguns anos, segundo o brasileiro. “Os serviços são de qualidade, mas as filas são muito grandes. Uma vez tive que fazer um exame porque machuquei o tornozelo e tive que esperar quase dois meses. Senão pagaria cinco ou seis vezes a mais numa clínica particular”, diz.


O crescimento da desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres nos últimos anos também tem sido um assunto recorrente no país nórdico e foi tema dos debates durante a última eleição, em que a coalizão de esquerda no governo manteve a maioria no Parlamento. Para Leonardo Doria, boa parte do aperfeiçoamento dos serviços públicos se deve a uma sociedade vigilante. “Os noruegueses são muito críticos. Há sempre debates nos jornais, de maneira que são muito bem informados. Mesmo coisas que nós achamos que seria bom demais no Brasil, eles acham que poderia melhorar”, diz.

1 comentários:

Natália disse...

Gostaria muito de ingressar no exterior, irei me casar no final do ano.
E estamos estudando a possibilidade de conseguirmos ajuda de Brasileiros no exterior.
Tenho 22 anos e meu noivo 27.
Tenho curso de computação completo
2º Grau completo
Já fui vendedora, operadora de caixa e recepcionista.
Meu noivo já foi Copeiro, garçon, sempre trabalhou em obras, relacionado a tudo.
Não tem um estudo muito acentuado.
Que concelho você nos daria?

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