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Estudantes são ``embaixadores´´do Brasil no exterior
"Levei CD´s, bandeira e blusinhas do Brasil e também um livro que falava várias coisas do nosso país", relata empolgada a administradora de empresas, Carla Carcagnoli Pitta, 23 anos, que estudou inglês em Santa Bárbara, Califórnia, nos Estados Unidos. "Os americanos não entendem muito como nosso país pode ser tão grande. No início, eles achavam que nós morávamos no meio da mata com os macacos. Isso é ridículo mas eles pensavam dessa forma", explica.
Thomaz lembra ainda que divulgou a cultura brasileira em conversas com os amigos sobre como é viver aqui. "Divulguei um pouco a música brasileira através dos CDs que levei e emprestei para amigos e também preparei muitas caipirinhas em festas", relata.
Acreditem ou não, a imagem do nosso país lá fora não é tão ruim quanto às vezes podemos supor. Thomaz conta que os franceses sempre tiveram simpatia pelo Brasil e pelos brasileiros, e atualmente têm mais ainda. "Por dois motivos: o Lula é muito bem-visto pelos franceses - que às vezes o comparam ao Salvador Allende - e a música brasileira está na moda em Paris. Existem discotecas brasileiras (como o Favela Chic, que está sempre lotada), shows de bossa nova e samba. E é muito comum encontrar um francês vestindo a camisa amarela da seleção brasileira", conta entusiasmado.
Na Turquia não é diferente. "Todo mundo conhece e gosta do Brasil, especialmente por causa do futebol. No principal time de lá, o Galatasaray, mais da metade dos jogadores titulares são brasileiros", conta Paulo.
Apesar de afirmar que não sofreu nenhum tipo de preconceito na França, Thomaz explica que os franceses não são tão hospitaleiros com estudantes de todas as nacionalidades. "Em geral, não existe preconceito contra o que é do Brasil, nada que lembre o racismo que existe na França contra imigrantes árabes, africanos, leste-europeus ou mesmo judeus", enumera.
Segundo ele, os europeus têm uma visão meio paternalista em relação à América Latina. "Esperam que um dia consigamos superar a pobreza e cheguemos ao desenvolvimento", acredita Thomaz.
Para Tertulino, a visão negativa que algumas pessoas têm em relação ao Brasil se deve ao fato de que a mídia internacional sempre divulga os piores fatos a respeito do nosso país. "Um dos grandes méritos do nosso programa é transformar aquele jovem que desconhece totalmente o nosso país em um embaixador permanente quando do seu retorno", explica.
No que diz respeito ao preconceito, o presidente da ABIJ conta que é feito um acompanhamento constante dos estudantes por meio de relatórios mensais e nunca foi observado qualquer tipo de discriminação aos participantes do programa.
O governo japonês mantém programas de estímulo à formação, treinamento e pesquisa para brasileiros em diversas instituições do Japão. Os mais relevantes são o Programa Monbukagakusho de bolsas para pesquisa e graduação do governo do Japão e as bolsas para estudos e aperfeiçoamento profissional da JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão), organismo ligado ao Ministério de Negócios Estrangeiros do país.
Monbukagakusho Considerado o maior programa oficial do Japão na concessão de bolsas para estrangeiros, o Monbukagakusho tem seis modalidades básicas.
Entre outros pré-requisitos específicos de cada programa, todos são destinados a brasileiros que tenham bom domínio dos idiomas inglês ou japonês, já que os conteúdos são ministrados nessas línguas. A programação das Bolsas de Pesquisa exclui um curso de seis meses de japonês. Já as demais bolsas prevêem um curso de um ano de duração no qual os candidatos terão acesso a conteúdo preparatório conjuntamente com o curso de japonês.
A concessão das bolsas é feita a partir de processo seletivo dirigido pelas representações diplomáticas do Japão no Brasil. Os moradores de cada uma das regiões do País devem procurar a missão diplomática específica responsável por sua área para se inscrever no programa. O número de bolsas concedidas não é pré-determinado, pois depende do desempenho dos candidatos nas provas e da avaliação de documentos.
Retirado do arquivo do Jornal Negocio&Ação
